Artrodese na coluna pode ser feita por meio da cirurgia endoscópica

artrodese coluna

Nos últimos 35 anos houve um refinamento técnico significativo das abordagens cirúrgicas que tratam as patologias da coluna vertebral. A mais recente é a cirurgia endoscópica da coluna, que pode ser usada, por exemplo, na artrodese. A principal indicação da artrodese é a instabilidade segmentar da coluna, cujo principal sintoma é a dor lombar crônica que, eventualmente, pode irradiar para as pernas.

Segundo o neurocirurgião Dr. Iuri Weinmann, especialista em cirurgia de coluna, um dos principais benefícios de fazer a artrodese usando a técnica da endoscopia é a preservação da mobilidade natural da coluna. “A coluna tem três segmentos: o cervical, o torácico e o lombar. A artrodese pela técnica minimamente invasiva tem o objetivo de fixar (ou artrodesar) elementos funcionais isolados da coluna (vértebra-disco-vértebra) para dar estabilidade para a coluna, sem afetar os movimentos globais. Quando necessário, são usados implantes metálicos, como parafusos e hastes”, diz.

A artrodese pode ser feita por meio das diversas abordagens cirúrgicas, como a convencional, a videolaparoscopia e a cirurgia endoscópica. A endoscopia não é uma área nova. A técnica é usada há muitos anos em exames e cirurgias para remoção de cistos ovarianos, pedras nos rins, redução de estômago, entre outras.

A novidade é que foram desenvolvidos equipamentos especificamente voltados a neurocirurgia, que envolve procedimentos no cérebro, coluna vertebral e demais estruturas do Sistema Nervoso Central (SNC).

Por dentro da neuroendoscopia
O endoscópio para cirurgias de coluna é um tubo fino, que tem aproximadamente o diâmetro da ponta de um lápis. O instrumento contém fibra ótica que ilumina e exibe o campo cirúrgico em um monitor Full-HD. A excelente visualização por meio do endoscópio permite ao médico explorar a anatomia da coluna vertebral com alta precisão. Isso aumenta a segurança e a eficácia da cirurgia.

“A visualização que o endoscópio oferece ao neurocirurgião da área a ser operada possibilita tratar seletivamente a patologia com preservação dos tecidos saudáveis. Outra peculiaridade do neuroendoscópio é a abertura de um canal que facilita o uso de ferramentas de sondagem, dissecação, apreensão e remoção de lesões, quando necessário”, comenta Dr. Iuri.

Como é feita a cirurgia?
Em geral usa-se a anestesia local, aspecto que amplia a indicação do procedimento para pacientes que não podem ser submetidos à anestesia geral, como hipertensos, obesos, idosos ou àqueles com patologias cardiorrespiratórias.

“Depois que o anestésico é aplicado, uma agulha fina é inserida nas adjacências da estrutura a ser tratada, por meio de uma pequena incisão, de cerca de cinco a oito milímetros. Essa via de acesso atinge a área a ser tratada sem passar pelo canal medular ou nervos, o que reduz drasticamente a chance de lesão neurológica e paraplegia”, explica o neurocirurgião.

A eficácia dos procedimentos endoscópicos para tratar patologias da coluna foi avaliada em vários estudos prospectivos, em que as diversas abordagens cirúrgicas foram comparadas. Entre os principais resultados desses estudos estão:

  • Redução imediata e sustentada da dor
  • Menor duração da cirurgia, por volta de 30 minutos
  • Menor perda de sangue durante o procedimento
  • Recuperação mais rápida
  • Menor necessidade de analgésicos no pós-operatório
  • Retorno às atividades em um prazo menor
  • Baixa taxa de complicações, sendo essas de pouca gravidade

“A cirurgia endoscópica da coluna apresenta muitos benefícios tanto para o paciente quanto para o neurocirurgião. Por outro lado, por conta da avançada tecnologia necessária para o procedimento e da longa curva de aprendizado exigida, no Brasil ainda não é a primeira escolha para tratamento das patologias da coluna”, cita Dr. Iuri.

Dr. Iuri Weinmann é neurocirurgião, especializado em Neurocirurgia Endoscópica Intracraniana e Cirurgia Endoscópica da Coluna Vertebral. Realizou recentemente a primeira artrodese de coluna em Campo Grande, usando o neuroendoscópio.

O aparelho foi uma aquisição do Centro Neurológico Weinmann, localizado no bairro Jardim dos Estados, em Campo Grande. Como o dispositivo é portátil, pode ser usado em qualquer hospital que realiza cirurgias de coluna.

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